A mãe entrou na sala. Ouviu latidos. Que cachorro do inferno. Os latidos ficaram mais fortes. Fica quieto. Mas o cão continuava. Vai apanhar se eu te pegar. Não adiantava, ainda se ouvia os gritos. A mãe começou a procurar o cão afim de repreende-lo. O latido parou. Onde diabos tinha se metido aquele cão. Nada. De repente tudo ficou quieto. Nem um sinal do pobrezinho. Olhou em volta... o sofá, a teve, a mesa. Nenhum ruido, nenhum choramingo ou som de patas correndo. Eu falei pra não comprar esse cachorro, agora veja só. Silêncio. O cão nem pra dar o ar da graça. O tapete estava em ordem, o pote de comida cheia. Já tinha procurado em tudo, ele sumira. Vagava pela casa olhando em cada canto. Viu a fresta da porta. Faltou olhar o quarto da Julia. Entrou no quarto da filha. A filha via tevê imovel. A cortina balançava. O vento que vinha da janela era a única coisa que dava vida ao local. Olhou em baixo da cama. Nem sinal. A filha olhou pra mãe, voltou a olhar a tevê. Procurou no canto atrás da mesa. Desisto. Foi se arrastando até a porta. Ah, quase esquecera de perguntar. Julia, cade aquele cão? Julia encarou a mãe. Passaram se cinco segundos até que ela mudasse a direção do olhar pra janela aberta. A brisa tocava o rosto com serenidade. Ainda podiam ouvir o vento gemendo de desespero. Depois de permanecer mirando a janela, voltou a olhar a tevê. Julia não precisou de palavras pra que a mãe finalmente entendesse aonde foi parar o cão.
ps: ficou uma droga mas eu juro que a idéia era boa.
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Um comentário:
Se fosse meu, eu só tiraria o PS, mas enfim.
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