segunda-feira, outubro 2

Ele e ele

Vinha de dentro, bem de dentro mas ambos sabiam que vinha.
Talvez todos a volta também soubessem.
Era provavel, pois não havia misterio em decifrar os sorrisos deles.
Embora eles ainda se enganassem, e fingissem não sentir esse turbilhão de sentimentos que só seria mais obvio se saisse no jornal.

Em um a gente via a alegria tremenda, os sentidos aguçados.
Ele vinha faceiro e sorrindo nos últimos tempos.
Em outro a gente ouvia a canção de amor que falava deles mesmos.
Ele cantarolava alguma coisa bem brega todos os dias.

Ele nem gostava dessas coisas, tinha o corpo pra aproveitar.
Era de todo mundo e todo mundo era dele também.
Romance é coisa de livro, eu não sei me apaixonar. O brilho no olhar não mente, meu rapaz.
Ele era surdo.

Abraçados como um só, eles riam juntos. Apenas amigos, aham.
Embora um pro outro os lábios ainda fossem virgens, o coração já tinha sido violado.

Eu tenho até namorada. Ele justificava.
Que pena pra ela, que pena pra ela.

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