Ela vinha da direita, acompanhada da bolsa e do botoon ativista.
Ele vinha da esquerda, com a mochila rasgada e o olhar parado.
Ela era bonita e simpática. Ele era mau humorado e estranho.
Na carteira de identidade dela grafava "Priscila Werneck Siemens".
Na parte de trás da mochila dele a mãe rabiscara "Leonardo A. Assunção".
Priscila nunca chegava atrasada e andava devagar.
Leonardo tinha coisas de mais pra fazer e estava sempre apressado.
Enquanto ela era politicamente correta e não dava pra qualquer um, ele só não comia todas as menininhas porque era lerdo de mais.
Priscila disputava o gremio estudantil, e tinha futuro.
Leonardo disputava o computador com a irmã todas as tardes.
Ele não tinha futuro, mas mais do que Priscila, tinha presente.
Aquele dia ela estava com a camiseta preta de bolinhas que ele adorava.
Ele calçava o mesmo tênis preto que ela nunca notara.
Priscila sempre ocupada, passava as tardes bolando e embolando projetos.
Trabalhava em metas para uma sociedade mais justa e feliz, buscava com determinação o olhar de orgulho dos pais e procurava ser responsável o tempo todo. Cuidava da irmã no fim de semana, trabalhava a tarde, no meio tempo entre tudo lia.
Leonardo não. Leonardo estudava o pouco que era necessário e no resto do tempo fazia qualquer coisa que desse vontade. Não achava nem as cuecas no quarto bagunçado, quanto mais alguma atenção dos pais que não fosse repreendimento. Leonardo não tinha dinheiro mas saia todas as noites. Festa. Bar. Pubs. Shows. Cinema. Bebia e fumava sempre que podia, e quando não podia também.
Ele forçava um meio-sorriso quando passava por ela.
Ela nem sabia que passava por ele.
Se eles se conhecessem, ela diria que ele é um filhinho de papai que tem tudo que quer. Ele diria que ela deixou de ser algo há muito tempo.
Ele riria se ouvisse o comentario de Priscila. Priscila choraria se ouvisse o dele.
Ela tinha cabeça de mulher mas ainda era uma menina.
Ele tinha cabeça de menino mas já era um homem.
A direita era o caminho do colégio dela.
A esquerda era o caminho da parada do ônibus dele.
Priscila cursava o terceiro ano com notas excelentes em tudo.
Leonardo ia pra faculdade de Publicidade e durmia na aula.
Naquele dia o caminho da direita estava mais escorregadio(ou seria o caminho da esquerda?).
Ela vinha com cuidado olhando aonde pisava.
Leonardo quase corria e batia em tudo.
E bateu nela. Um caderno foi parar no chão.
Ela ficou furiosa. Ele mau percebeu.
Eles eram completamente opostos e qualquer forma de abordagem com ela não daria certo.
Ele - Acho que vai chover, hein?
Ela - Com certeza.
Ele - Tô ferrado se chover...
Ela - Eu não.
Eu disse QUALQUER FORMA.
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Um comentário:
Eles precisam de algo estilo "festa estranha, com gente esquisita, eu não to legal, não aguento mais birita". Com o Edu e a Mô fucionou, sabe...
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