sexta-feira, agosto 17

Cobaia 2

A - Tu te acha bonita?
B - Como?
A - Perguntei se tu te acha bonita.
B - Bom... eu...
A - Sim ou não?
B - Eu me acho um pouco.
A - A resposta é sim então?
B - Não, eu não me acho bonita, bonita mesmo. Só um pouquinho.
A - Logo, a resposta é não.
B - Não é bem isso, eu me acho meio-bonita.
A - Você não pegou a idéia. Vou fazer a pergunta de novo. Você se acha bonita?
B - Já disse... meio-bonita.
A - Qual lado seu é bonito?
B - Quê?
A - Você disse que é "meio-bonita", que metade sua é bonita?
B - Não, você não entendeu. Eu não tenho uma parte só bonita.
A - Ah! então você é toda bonita.
B - Não!
A - Entendi... Mas você não devia se sentir feia assim.
B - Não foi bem isso que eu disse, mas esquece. Ah, obrigada.
A - Esqueço. Obrigada pelo quê?
B - Pelo elogio.
A - Elogio? Escuta, não misture as coisas, eu só disse que você deveria se achar bonita, não que eu também a achava.
B - Escuta você, qual o propósito disso tudo?
A - Olha, têm aqueles que dizem que Deus gosta de brincar com marionetes. Têm pessoas que acreditam que o propósito da vida é ter filhos, outros é evoluir até virar uma vaca, varia muito, cada um tem a sua opinião.
B - Não!
A - Sim, realmente têm pessoas que acham isso.
B - Não, você não entendeu. Qual o propósito dessas perguntas?
A - Não sei, você que veio falando de filosofia, eu só perguntei se você se achava bonita.
B - Não é isso! Presta atenção: por que você me perguntou se eu me achava bonita?
A - Pra saber se você se achava bonita, o que mais?
B - Ai. Desisto.

(...)

A - Tu tá esperando o quê?
B - Um garoto.
A - Ele te deu um bolo.
B - Não, eu que cheguei cedo.
A - Ah, é? E que horas vocês marcaram?
B - Bem... Lá pelas quatro horas a gente tinha que se encontrar aqui.
A - E que horas são?
B - Não tenho relógio.
A - Quer que eu lhe diga as horas?
B - Pra quê?
A - Pra você saber que horas são, o que podia ser?
B - Olha, isso não é da sua conta.
A - Tá bom, mas já são cinco e quinze. Talvez você devesse ir pra casa.
B - Não são cinco e quinze ainda.
A - Como você sabe, se não tem relógio?
B - Eu só sei, tá legal?
A - Você é meio ruim com esse negócio de horas. Cinco e dezesseis.
B - Legal.

(...)

A - Bom, ele pode não ter te dado um bolo, propriamente dito. Pode ter acontecido algo.
B - É verdade, foi o que eu pensei.
A - Em todo caso, você deveria ir pra casa.
B - Eu faço o que eu quiser, não se meta.
A - Claro, mas só digo que, se mesmo que eu tivesse me atrasado ou tivesse acontecido algo, eu não iria depois de uma hora e meia no encontro.
B - Bom pra você.
A - Ele pode ter sofrido um acidente, estar no hospital. Em todo caso é mais fácil você ficar em casa e assistir o jornal na teve, sempre aparecem as pessoas que morreram no trânsito.
B - Ele não morreu.
A - Como você sabe?
B - Eu sei que não morreu.
A - Sempre que você diz isso está equivocada. Eu penso que ele morreu sim. Ou está no HPS sendo operado, morrendo de dor, com os rins pra fora, um pulmão cortado e duas costelas fraturadas, nesse momento o médico deve estar tentando salvar uma das pernas, devem estar colocando ele em coma induzido pra não sentir tanta dor... Hei! Por que você está chorando?

(...)

3 comentários:

Luiz Madeira disse...

hahahahaha

Nossa, juro que se você continuar essa série eu vou ter muito mais felicidade em minha vida. Adoro esses diálogos!

Anônimo disse...

E foi assim que acabou?
;)

Renan Ramiro disse...

haha
Adoro os "Cobaia"!

Agora tenho o endereço certo de novo!
Se mudar de novo, ou me avisa ou morre!