quinta-feira, dezembro 21

Em preto e branco

meus olhos encontram o teu em preto e branco,
do meu lado alguma coisa sussurra
não tenho certeza se são teus lábios ou os meus,
arrisco ouvi-los de qualquer forma
enquanto me aperto entre a cadeira, tentando diminuir, não sei se de tamanho ou expressão
é em vão, falho, aumento, extrapolo os limites que um dia eu pensei ter
mergulho em ti e te vejo mergulhando em desespero
não grito nem avanço, apenas nossos olhos cinzas, apenas teu sorriso morrendo
deito tua calma e te exponho, completa e conscientemente
dou cor pros teus lábios em tons de vermelho berrante
a luz e o som se confundem, como ondas que erraram o caminho
misturam-se perplexos entre o diálogo
não é teu ego que berra, é o meu que cala

2 comentários:

Renan Ramiro disse...

poética...!

eu não vou repitir o quão eu te acho boa escritora, porque você nunca crê...
e talvez eu mesmo esteja participando de uma realidade que eu crio quando leio o que você escreve

mas, de fato, o que leio aqui faz bem pra mim...

obrigado por manter o blog sempre vivo

Solano Lucena disse...

Eu também queria ser uma poesia tua.